Ano C – Solenidade Santa Maria, Mãe de Deus

1ª Leitura: Num 6, 22-27; 
Salmo: Sal 66, 2-3. 5- 6 e 8;
2ª Leitura: Gal 4, 4-7;
Evangelho: Lc 2, 16-21.

 

“Deus nos dê a sua bênção”

São vários os motivos que celebramos neste primeiro dia do novo ano de 2013. No último dia da oitava do Natal do Senhor, celebramos a Festa da Maternidade de Nossa Senhora. Como definiu o concílio de Éfeso, Maria é Mãe de Deus. Celebrar a Maternidade Divina é reconhecer que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. 

Além disto, também celebramos neste dia o XLVI Dia Mundial da Paz. Em 1968, o papa Paulo VI convidou a Igreja a rezar pela paz neste dia. Fiéis a esta recomendação, os papas sucessivos dedicaram sempre este dia à paz e oferecem-nos uma reflexão sobre o significado da paz e algumas propostas de caminhos de construção de paz. O papa Bento XVI escolheu como tema para este dia a “Bem-aventurados os obreiros da Paz” e recorda-nos que “a bem-aventurança de Jesus diz que a paz é, simultaneamente, dom messiânico e obra humana. Na verdade, a paz pressupõe um humanismo aberto à transcendência; é fruto do dom recíproco, de um mútuo enriquecimento, graças ao dom que provém de Deus e nos permite viver com os outros e para os outros”. Além disto, o Papa afirma que “pode-se supor que os caminhos para a implementação do bem comum sejam também os caminhos que temos de seguir para se obter a paz” e identifica alguns desses caminhos: respeito pela vida humana, estrutura natural do matrimónio, a objecção de consciência, a liberdade religiosa, o direito ao trabalho, um novo modelo de desenvolvimento e uma nova visão  da economia, a educação para uma cultura de paz e uma pedagogia do obreiro da paz.

No entanto, também celebramos neste dia o início do novo ano civil de 2013 e invocamos a bênção de Deus para este novo ano que se inicia.

O início de um novo ano, ainda que as previsões sejam de crise, convida-nos à esperança. Quantos propósitos para o próximo ano já fizemos! Quantas desejos formulamos! Quantos eventos já não agendamos! 

No entanto, a liturgia da Palavra deste dia recorda-nos que nesta projecção do novo ano nós não estamos sozinhos. Este novo ano deve ser projectado e iluminado à luz da bênção de Deus.

A primeira leitura deste dia, retirada do livro dos Números, narra-nos a fórmula de bênção que, segundo o mandato divino, os sacerdotes da antiga aliança deviam invocar sobre o povo. A bênção é apresentada como um dom de Deus ao seu povo. Deus oferece a bênção ao seu povo. 

A bênção é algo importante para os povos semitas. A bênção é um favor divino que se traduz na vida corrente de um homem com a abundância, a saúde e a paz e assegura o triunfo dos inimigos. A bênção, no Antigo Testamento, aparece algumas vezes como promessa que traz consigo a alegria e a felicidade e tem como motivação principal o estimular o povo a manter-se fiel ao seu Deus.

Desta leitura do livro dos Números chama-nos à atenção o facto de a bênção ser uma iniciática de Deus e de um dos seus dons ser a Paz. 

É Deus que nos abençoa. A bênção é o sinal do amor gratuito e generoso de Deus pelo seu Povo. Um amor que ajuda e anima o seu povo.Um dos dons da bênção é a Paz. A paz na mentalidade bíblica não se limita à ausência da guerra. A paz é o bem-estar, a harmonia e a felicidade plena.

A grande bênção que recebemos de Deus é o que celebramos no Natal do Senhor. Na verdade, como nos recorda São Paulo na sua epístola aos gálatas “quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu filho nascido de uma mulher e sujeito à lei … para nos tornar seus filhos adoptivos”. 

Jesus Cristo é a grande bênção que Deus nos concede. A encarnação de Jesus é a prova do amor gratuito, generoso e solidário de Deus pelos Homens. Por Jesus, o Filho de Deus, também nós nos tornamos filhos de Deus. Em tempo de Natal esta leitura recorda-nos que “Jesus fez-se homem para que o homem se tornasse Deus” (Sto Agostinho).

Como filhos Deus envia-nos o seu espírito aos nossos corações. É por obra do espírito que chamamos a Deus Abbá, papa. Esta fórmula original de Jesus se dirigir a Deus também deve ser a forma como nós, filhos de Deus, nos dirigimos a Deus. Devemos relacionar-nos com Deus com confiança absoluta, com uma entrega total e com um amor sem limites. 

Tal maneira de nos dirigirmos a Deus convida-nos a pensar sobre a imagem que temos de Deus. Deus não é alguém distante e frio. Deus é o papa, aquele que está próximo, aquele que nos acompanha e nos dá a sua bênção. 

No entanto, devemos perguntarmo-nos como aceitamos, como recebemos a bênção que Deus nos concede e que é o Seu Filho. 

O evangelho deste dia ajuda-nos a reflectir sobre isto. O evangelho deste dia é mais uma página do evangelho da infância de Lucas. Os dois capítulos iniciais da obra lucana mais que um relato jornalístico dos acontecimentos são uma catequese sobre a pessoa e a missão de Jesus. Jesus é o messias libertador que traz ao seu povo a paz. No entanto, esta página do evangelho da infância também é uma catequese sobre a atitude que o homem deve ter diante da encarnação e nascimento de Jesus. 

Depois da multidão dos anjos terem anunciado aos pastores o nascimento de Jesus os pastores colocam-se apressadamente a caminho. Pastores e apressadamente duas palavras que nos convidam a reflectir. Na verdade, os pastores eram um grupo social marginalizado. Eles eram considerados impuros e pecadores e por isso longe de Deus e da sua salvação. No entanto, foi a eles que os anjos anunciaram o nascimento de Jesus. A proposta de Jesus, deste Deus que vem para salvar, é destinada de uma maneira muito especial para os pobres e marginalizados. 

Ante a notícia do nascimento de Jesus os pastores dirigem-se apressadamente para ver o grande mistério que se lhes oferecia. Dirigiram-se com aquela pressa e com aquela ânsia que são características dos pobres e marginalizados que esperam a acção libertadora de Deus em favor do seu povo. 

Depois de encontrarem o menino, Maria e José, “os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus”. Quem recebe e aceita a bênção de Deus outra coisa não pode fazer senão glorificar e louvar a Deus e tornar-se bênção para os outros. Na verdade, na bíblia, a bênção é um favor divino que vem de Deus sob a forma de felicidade e que retorna a Deus sobre a forma de louvor ou de agradecimento.

No entanto, o evangelho apresenta-nos uma outra atitude que completa e de certo modo precede a acção dos pastores. “Maria conservava todos estes acontecimentos meditando-os no seu coração”. O Natal do Senhor é um tempo de contemplação do Amor de Deus que se encarnou por amor dos homens. 

Contemplação, alegria e anúncio três acções características daqueles que recebem e aceitam a bênção de Deus nas suas vidas. A grande bênção, o grande presente que Deus nos concede é Jesus. Só aceitando Jesus na minha vida é que este novo ano que se inicia pode ser um ano de bênção. 

“O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz.” 

Votos de um 2013 repleto das bênçãos do Deus Menino.

P. Nuno Ventura Martins

missionário passionista

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