Ano C – XXV Domingo do Tempo Comum

1ª Leitura: Am 8, 4-7;
Salmo: Sl112 (113), 1-2. 4-6. 7-8;
2ª Leitura: 2 1 Tim 2, 1-8;
Evangelho: Lc 16, 1-13 ou Lc 16, 10-13.


Na segunda leitura deste domingo, retirada da carta a Timóteo, encontramos uma das afirmações centrais da fé cristã: “Deus quer que todos os homens se salvem”. 

A noção de salvação é comum a todas as religiões e transmite a ideia de libertação de uma situação de sofrimento, de morte e de ameaça de perigo. Na tradição bíblica o salvador é sempre Deus que, por vezes, se serve de homens e mulheres. No Novo Testamento o Salvador é Jesus de Nazaré. O termo salvação deriva de um termo grego que tem uma amplitude de sentido. Na verdade, ele não designa unicamente o acto de salvação mas também o seu resultado, ou seja, uma vida íntegra, a saúde e a plenitude de vida com Deus. Assim sendo, a salvação não é só a libertação de uma situação negativa mas um aumento qualitativo de vida. 

Deus que por amor nos criou para a felicidade quer que todos os homens se salvem, alcancem a qualidade de vida própria dos filhos de Deus: uma vida que é comunhão à imagem da Santíssima Trindade. É este o grande desafio e a grande dom que Deus dá a cada homem. É esta a vocação de todo o homem: a vida de comunhão no seio da Trindade. 

No entanto, o homem na sua peregrinação quotidiana nem sempre escolhe os caminhos de salvação. Em vez de escolher caminhos que conduzem à vida plena e feliz do amor escolhe caminhos, que num princípio podem ser mais atractivos, mas são caminhos de destruição. 

No entanto, Deus nunca abandona o Seu Povo. São várias as intervenções de Deus ao longo da história da salvação para que a humanidade tenha mais vida. 
Prova disto são os profetas que Deus suscita ao longo da história da salvação para denunciar o mal em que vivemos e par nos anunciar a salvação de Deus. A primeira leitura deste Domingo relata-nos o testemunho de um desses profetas: Amós. 

Amós, o profeta das causas sociais, denúncia como o caminho da alienação do ter não conduz à verdadeira felicidade mas à injustiça, ao roubo e à destruição das relações com Deus e com o próximo. Quando deixamos que seja o materialismo a conduzir a nossa vida não enveredamos por um caminho de salvação mas de destruição. Mas Deus está atento a esta situação e porque quer que todos se salvem e sejam felizes é que promete solenemente que ira actuar: “Mas o Senhor Jurou pela glória de Jacob: nunca esquecerei nenhuma das sua obras”. 

A grande actuação de Deus para a Salvação dos Homens é Jesus Cristo. “Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, que se entregou a morte pela redenção de todos”. 

É este Jesus, “caminho, verdade e vida”, que nos vem revelar a verdade para que todos os homens se salvem. 

Neste domingo, Jesus recorda-nos que não podemos servir a Deus e ao Dinheiro. Nós não existimos para servir o dinheiro. Os bens materiais existem para servir o homem. 

Os bens materiais, como toda a criação, são bons porque foram criados por Deus e com eles podemos fazer verdadeiros milagres. No entanto, alguns usos que fazemos dos bens materiais são perversos. Os bens estão ao nosso serviço para proporcionarem a todos condições de vida dignas. Os bens existem para servir a nossa relação com Deus, com a família e com os irmãos e não para destrui-las. Quantos insensatos que trabalhando pela ilusão da felicidade do ter sacrificam o tempo e a disponibilidade para Deus, para a família e para os irmãos, fonte de verdadeira felicidade.

“Deus quer que todos os homens se salvem” e oferece-nos a verdade da salvação em Jesus Cristo, “que sendo rico se fez pobre para nos enriquecer na sua pobreza”. Tomemos consciência da degradação humana que proporciona a procura desenfreada e a escravidão dos bens materiais nos colocam. Só servindo a Deus que é Comunhão de Vida é que encontraremos a salvação que todos desejam.

P. Nuno Ventura Martins

missionário passionista

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