Dia de São Paulo da Cruz

Celebramos a Festa de S. Paulo da Cruz, nas vésperas do início do ano santo/jubilar dos 300 anos da fundação da Congregação da Paixão de Jesus Cristo.  Esta efeméride, que tem como lema “Gratidão, Profecia e Esperança: Renovar a nossa missão”, começa a 22 de novembro de 2020 e conclui a 1 de janeiro de 2022. Estas datas não são aleatórias, mas recheadas de um forte simbolismo fundante. Na verdade, no dia 22 de novembro de 1720, Paulo Danei recebe, das mãos de Mons. Gattinara, o hábito de ermita e no dia sucessivo, 23 de novembro de 1720, inicia o seu retiro de quarenta dias, na igreja de S. Carlos em Castellazzo, que termina a 1 de janeiro de 1721.

A experiência de Castellazzo é a experiência generativa da identidade espiritual de Paulo da Cruz e, consequentemente, da Congregação dos Passionistas. Na verdade, foi nesta circunstância que escreveu, a pedido do seu diretor espiritual, o seu diário espiritual e, de 2 a 7 de dezembro, a primeira versão das regras da congregação por ele sonhada. Por isso mesmo, esta ocasião e é considerada o início da Congregação, apesar de canonicamente só ter surgido mais tarde.

Se o ano jubilar pretende ser o momento oportuno para renovar a nossa missão, enquanto membros da família passionista, devemos voltar a estes quarenta dias, revivendo a experiência de Castellazzo, para aí descobrir os pilares carismáticos e espirituais de Paulo da Cruz que são e serão os fundamentos da Congregação Passionista: a memória do Crucificado, os pobres – a pobreza, a solidão, a oração e a penitência.

A memória da Paixão é a intuição fundamental, o ser de Paulo e dos Missionários Passionistas. Existimos na Igreja para fazer memória da Paixão de Cristo: “a maior e mais maravilhosa obra do amor divino” e “o remédio mais eficaz contra os males de todos os tempos.” Esta intuição fundamental traduz-se no voto específico de “recordar mais intensamente a Paixão do Senhor e de promover a sua memória com a palavra e as obras” que Paulo da Cruz fez na basílica de Santa Maria Maior de Roma, em Setembro de 1721, e que todos os passionistas fazem no dia da sua profissão religiosa. Não nos esqueçamos que “a causa dos males de todos os tempos é o esquecimento da Paixão de Jesus.”

Os pobres e a pobreza são a opção determinante. Paulo da Cruz via o nome de Jesus gravado na fronte dos pobres. Tal reconhecimento de Cristo nos pobres levava-o a desejar que os seus religiosos fossem “os pobres de Jesus” e a afirmar que “a pobreza é a bandeira sob a qual milita toda a congregação”.

A solidão, a oração e a penitência são a metodologia, as pedras basilares do caminho a seguir. A solidão recomendada por São Paulo da Cruz não é um alheamento apático do mundo onde vivemos, mas um desprendimento do mundo, uma distância crítica relativamente aos critérios e projetos mundanos, para melhor descobrirmos a vontade de Deus. Por isso mesmo, ainda é um valor para os dias de hoje.

Homem de oração, Paulo da Cruz, com o seu exemplo e palavra, pediu que cada passionista fosse um homem de oração e que as comunidades passionistas fossem escolas de oração, ou seja, que favorecessem a íntima união com o Pai e a identificação com o Crucificado-Ressuscitado, pela ação do Espírito Santo e através da meditação diária e prolongada da Paixão de Cristo.

A penitência não se identifica com um voluntarismo asceta, mas é um caminho de conversão. A verdadeira penitência não é o que custa a fazer, mas o que fazemos para crescer no amor a Deus, aos irmãos e a nós próprios. Claro que isto exige esforço e determinação e traduz-se em obras exteriores que não esgotam o itinerário penitencial.

Que o Senhor Crucificado, por intercessão de S. Paulo da Cruz, neste ano jubilar, faça florescer em nós a memória do Crucificado, a pobreza, a solidão, a oração e a penitência. Só assim seremos verdadeiros passionistas, segundo o carisma de Paulo da Cruz!    

Nuno Ventura Martins, cp

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