Mensagem de Advento e Natal

Queridos irmãos, irmãs e amigos da Família Passionista,

O inicio do tempo litúrgico do ‘Advento’, recorda-nos que a festa significativa e preciosa da nossa fé, chamada de ‘Natal’ se está a aproximar. Portanto, a mensagem que nos é apresentada é: PREPARAR! Mas, preparar o quê?… Como preparar?

Desde o início de novembro que se veem sinais “seculares” do Natal, como as árvores de Natal, a publicidade e outras decorações nas ruas e nas lojas de Roma. Provavelmente acontece o mesmo noutras partes do mundo.

Muita gente já comprou ou está a pensar comprar os presentes de Natal para os familiares e para os amigos. Para alguns, isto converte-se em fonte de stress. É preciso saber o que comprar e isso exige passar por diversas lojas para encontrar o presente perfeito, com o preço adequado e dentro do orçamento pessoal. Para outros, este é o período do ano em que se retomam os contactos e se reavivem amizades, recebendo e enviando postais de Natal (ou e-mails). Para outros, é um tempo para recordar que há pessoas com problemas graves e, através dos cabazes de Natal, tenta-se chegar a vários. Todas estas coisas são boas e positivas, se forem feitas com a motivação adequada… Estar em contacto com os outros, reforçar os laços e as relações pessoais e, muito importante, construir um mundo melhor.

Mas, todas estas coisas são apenas um preparativo exterior. Embora possam ser importantes e necessárias, o Advento é muito mais que isso. Muitas vezes deixamos que o Advento permaneça em segundo lugar, enquanto preparamos uma grande festa de Natal. Estamos tão ocupados com os preparativos exteriores, no fazer, organizar e comprar, que chegamos ao Natal totalmente exaustos. O Advento não existe para isso!

Na verdade, o Advento é o tempo da “espera”, do “desejar ardentemente”, do “estar vigilante”. O Advento é um tempo litúrgico de oração, que nos convida a fazer uma preparação interior e espiritual, por alguém muito especial, Jesus, nosso Redentor e Salvador.

Recordo que uma vez uma amiga perguntou-me o que eu queria para o Natal. Eu respondi: “Nada. Não te preocupes em comprar-me alguma coisa, porque eu não preciso de nada”. Obviamente eu sabia que ela não iria mudar de ideias e me compraria algo. Mas, a sua pergunta fez-me pensar e, mais tarde, fiz a pergunta a mim mesmo: “Que coisa queres realmente para este Natal?”. E isso levou-me a fazer a pergunta mais importante do Advento: “Que quero, que coisa desejo ardentemente?”. Refletindo sobre esta pergunta, compreendi que os meus “desejos ardentes” não têm nada que ver com as coisas exteriores que se podem comprar com tanta facilidade. Os meus desejos estão relacionados com os dons mais profundos e mais saudáveis que são: a paz, a alegria e a misericórdia que só Deus pode dar e que nos oferece se o deixarmos entrar no nosso coração.

O filósofo hebraico Martin Buber narra uma história hassídica sobre o significado do tempo e das estações para nós, seres humanos, e que serve também para os cristãos:

Um rabino perguntou uma vez a um grupo de pessoas cultas que o tinham ido visitar: “Onde vive Deus?”. Eles começaram a rir. “Mas que pergunta!” – disseram eles – “Então, o mundo não está cheio da glória de Deus?”. Então o rabino respondeu à pergunta que fizera: “Deus habita em todos os lugares em que a gente o deixa entrar”.

Este é o nosso objetivo final: deixar entrar Deus. Enquanto toda a gente está preocupada em “fazer”, a nossa primeira preocupação deveria ser “deixar”: deixar Deus entrar, deixar Deus atuar.

Com todas as coisas que se farão para preparar o caminho para receber Jesus de maneira especial e renovada neste Natal, reservemos um tempo para refletirmos nesta pergunta de Advento: “Que quero, que coisa desejo ardentemente? E comprometamo-nos a abrir um espaço na nossa vida para deixar Deus entrar.

Este ano, na metade do Advento, o Santo Padre, Papa Francisco, abrirá o Ano Jubilar Extraordinário da Misericórdia, um ano santo que nos convida a abrir, com maior decisão e confiança, as portas do nosso coração para deixar Deus entrar. É uma oportunidade para a conversão! Recebamo-la com alegria e sem medo!

A mensagem do Anjo aos pastores foi: “Não tenhais medo! Trago-vos uma alegre notícia! Uma alegria para todo o povo! Nasceu para vós um Salvador, Cristo, o Senhor” (Lc 2, 10-11). Jesus salva-nos e ama-nos com a misericórdia de Deus, que, nós Passionistas, contemplamos na Paixão de Jesus.

Na Bula de convocação Misericordiae Vultus, o Papa Francisco recorda-nos que a Criança nascida de Maria e José, envolto em panos e deitado numa manjedoura em Belém, é alguém muito especial: Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nesta palavra a sua melhor síntese. A misericórdia se fez viva, visível e chegou ao máximo em Jesus de Nazaré (n. 1).

Portanto, meditando sobre o Natal, acolhamos o convite do Santo Padre a contemplar constantemente o mistério da misericórdia que, como diz, é fonte de alegria, de serenidade e de paz. É condição para a nossa salvação (n. 2).

Desejo-vos as maiores bênçãos do céu na preparação, contemplação e celebração deste tempo de Advento e Natal. Que a nossa espera ardente produza frutos de alegria, serenidade e paz.

P. Joachim Rego, CP

Superior Geral

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