Mensagem do Provincial: Semana Santa e Páscoa 2012

Preparemos e façamos, o melhor possível, as Celebrações do Tríduo Pascal, com toda a beleza e dignidade, mas não nos centremos só nos ritos, que podem ser bem feitos e até belos, mas vazios. Devemos, como Passionistas, primar pelo testemunho que damos nestas Cerimónias, pela beleza da Liturgia, mais do que pela mecânica dos ritos, pela nossa presença, pelo incentivo que damos às pessoas para que participem no maior número possível, as Igrejas deveriam ser pequenas nestes dias, porque todos os cristãos deveriam ser sensibilizados a participar, não na Vigília Pascal, mas no Tríduo Pascal.

Alegrarmo-nos não porque tudo esteve certinho no aspecto puramente de ritual, mas sim porque conseguimos, com os nossos apelos, chamar mais cristãos, jovens e adultos e porque nos sentimos mais ricos em Amor a Jesus e aos irmãos, vivendo mais segundos “os sentimentos de Cristo”.

A Semana será Santa, se for um passo em frente no nosso amor a Jesus, se nos entusiasmarmos para vivermos com mais alegria a nossa Consagração Religiosa Passionista, sentindo-nos mais discípulos e apóstolos do Amor Crucificado.

A Semana será Santa se nos ajudar a renovar, com mais alegria, o SIM que um dia Lhe demos, para Lhe sermos fiéis, como Ele foi fiel ao Seu SIM. No Jardim das Oliveiras, Ele também teve medo e invadiu-O a “angústia” e pavor“ (Mc 14,33) e sentiu ”uma tristeza de morte” (Mc 14,34) “e o suor tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra” (Lc 22,44), mas serenamente aceita e coloca-se nas mãos do Pai: “Abbá, Pai… não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres” (Mc 14, 36).

A Semana será Santa, se O imitarmos na entrega e no serviço, colocando-nos de joelhos diante de todos, como um servo para que os outros sejam senhores, como Ele, lavando os pés aos discípulos, até a Judas, num amor incondicional aos irmãos, a todos os irmãos, sem excepção, e não aos que dizem comigo, que me aplaudem, que me enchem o ego. “ Dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também” (Jo 13,15).

A Semana será Santa, se eu aprender a ser humilde como Ele, dócil como Ele, pôr-me ao serviço como Ele, a entregar-me como Ele, a morrer para a minha vontade como Ele, para que os outros tenham mais vida e sejam mais felizes.

A Semana será Santa, se eu for para o meu irmão da comunidade ou daqueles de quem me aproximo ou me procuram no meu apostolado, não aquele que se impõe e manda com autoritarismo, mas aquele que propõe e dialoga, não aquele que escorraça e faz distinção de pessoas, mas aquele que acolhe a todos, convida a todos e atrai. O Amor atrai, o autoritarismo afugenta: “E Eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12, 32).

A Semana será Santa, se ao contemplar o Crucificado assumir a atitude que Ele assumiu e me levar a solidarizar-me com os crucificados de hoje: os que são violentados, os explorados, os excluídos, os sem voz para se defenderem. Olhar para a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão. Olhar para a cruz de Jesus é evitar que os homens crucifiquem outros homens e são tantos os crucificados, mesmo só pela maledicência e calúnia!

A Páscoa é um morrer para o meu “eu” e entrar na esfera da vontade de Deus: da simplicidade, da humildade, do serviço, da entrega total; é deixar o poder, a ânsia de ter, a glória mundana, as aparências, o culto da imagem e da pessoa e fazer a “Passagem” para novas atitudes, comportamentos, relacionamentos de amor gratuito, de atenção amorosa com o irmão, de alegria pelo bem dos outros, de capacidade de olhar com amor e não com ciúmes ou invejas, de “amar como Jesus nos ama”; é deixar de parecer, para passarmos a ser mais, a amar mais, a servir mais, sem esperar nada em troca.

A Páscoa é libertação de tudo o que nos escraviza, nos domina, nos prende, que podem ser projectos pessoais, pessoas ou coisas que nos cegam e impedem de ser livres e felizes.

A Páscoa é “correr” ao encontro de Cristo e “correr” com alegria para levar a Boa Notícia a todos e a toda a parte. “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro…Correndo, foi ter com Pedro e o outro discípulo, o que Jesus amava…Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo ” (Jo 20, 1- 4). O amor faz-nos “correr”, faz-nos ir ao encontro Dele “de manhã, ainda escuro” e mais ainda, faz-nos “ir depressa dizer aos seus discípulos”(Mt 28,7), anunciá-Lo a todos sabendo que Ele está vivo na minha vida e na vida do mundo. “Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galileia. Lá O vereis” (Mt 28, 7).

A Páscoa é esta vida nova de quem acredita no amanhecer dum mundo novo e trabalha, com o seu testemunho de amor e entrega à evangelização, para que a Boa Nova chegue até aos confins da terra, como as mulheres que, perante o sepulcro vazio, “correm” com alegria para a anunciar aos discípulos.

A Páscoa é respirar o ar fresco da manhã de Páscoa e cantar Aleluia, porque Jesus, o Crucificado, Ressuscitou. Ele está vivo no meio de nós e no coração do mundo.

A Páscoa é amar sem cálculos, nem medida. É amar até ao fim.

A Páscoa é trabalhar pela união e não pela divisão, é construir comunidade, é formar família, ultrapassando diferenças e estendendo sempre as mãos para unir, dando e recebendo amor.

A Páscoa é ser mensageiros da alegria e da esperança, mas com o testemunho da vida, pois quem não é feliz não pode fazer os outros felizes ou ser mensageiro da esperança e da felicidade. É esta, hoje, a grande mensagem da Vida Religiosa para o mundo e que o mundo tanto precisa. Não espera que sejamos expertos nisto ou naquilo, nem fazedores de grandes obras materiais, mas sim homens de esperança, homens que respiram felicidade, que sabem amar na gratuidade, homens da interioridade, que respiram paz, homens de Deus.

Termino desejando a cada um dos Religiosos, aos seus Familiares, a todos os Movimentos Laicais Passionistas, Benfeitores e Colaboradores uma Santa e Feliz Páscoa. Que todos cantemos em uníssono: Jesus Ressuscitou! Aleluia! Aleluia!

 

Santo António da Charneca, 29 de Março de 2012

P. Laureano Alves Pereira,

Superior Provincial

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