Missão em Portugal: Carnaval na Casa dos Pobres de Coimbra

No passado domingo, dia 23 de Fevereiro, o grupo do Voluntariado Passionista deslocou-se a Coimbra para uma nova e renovada Missão na Casa dos Pobres. À chegada, fomos recebidos com a contagiante alegria e carinho que tão bem carateriza todas as colaboradoras da Instituição. E, mal passamos aquela longa porta de vidro da entrada, sentimos um novo bater nos nossos corações, como se por uns momentos todos vivêssemos no mesmo compasso: o compasso do afeto, da ternura, ali representado no reencontro com os nossos amigos da Casa dos Pobres.

A alegria com que cada um nos recebe é indiscritível. Enquanto ajudamos a servir os últimos almoços, dizem-nos que já tinham saudades nossas, agarram as nossas mãos e depressa procuram o nosso abraço. Dão-nos muitos beijinhos, dizem-nos que somos bonitos e olham-nos nos olhos como se fôssemos amigos de longa data. Rapidamente nos relembramos das suas brincadeiras e diferentes personalidades: o Sr. Fernando, que gosta de ficar perto da máquina do café; a D. Augusta, que gosta de percorrer os cantos da casa e de nos mostrar o atelier e os novos trabalhos; o Sr. Carlos, que canta sempre o bonito fado de Coimbra, com o acompanhamento do Sr. Moisés na guitarra; a D. Alice, que nos dá muitos beijinhos e agarra sempre as nossas mãos; o Sr. António e a D. Rosa, que acompanham-nos sempre por entre as brincadeiras do grupo; … Cada um à sua maneira, todos nos fazem sentir em casa, na casa e no coração de cada um.

No final do passeio

Partilhado todo o carinho do reencontro, e já depois do almoço, é tempo da celebração da Eucaristia na Capela do Lar. E nada mais é necessário além da presença de cada idoso e da fé que cada um carrega. Ao olharmos de perto as fragilidades dos nossos amigos da Casa dos Pobres, há um longo momento em que verdadeiramente, nós, os voluntários, nos afastamos das nossas questões internas, das preocupações do dia-a-dia. Nesse momento, somos apenas um coração ao serviço de Deus, mas um coração que é transmissor de fé, amor e esperança. É tudo isto que sentimos quando nos deparamos com a mais débil condição humana, enquanto acompanhamos o Padre Bruno na comunhão aos idosos acamados. Sabemos que ouvem a nossa “música” e que os seus corações descansam e serenam ao ritmo da fé. Sabemos que o coração é renovado em esperança e o corpo alimentado nas suas forças. Nesse momento, o tempo pára.

Terminada a Eucaristia e comunhão, é tempo de percorrer, com os idosos, os jardins e a horta da Casa dos Pobres e apanhar o maravilhoso sol de Coimbra. É tempo de ouvir as novas e antigas histórias dos mais velhos. Mostram-nos as suas máscaras de carnaval, falam-nos da sua juventude e das dores que agora sentem. Entre confidências, dizem-nos que o mais difícil é a solidão que por vezes se instala. Muitas vezes, acompanhamos os seus silêncios apenas com as mãos dadas e um sorriso no rosto. E, quando nos despedimos, depois de ouvir cantar o fado de Coimbra, perguntam sempre “então e quando cá voltam?”… Na verdade, os nossos corações já são parte desta casa. E é também essa a pergunta que fica a ecoar em nós!

“Na hora da despedida…”

Com muita gratidão e amor,

Voluntariado Passionista

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *