O seu nome é “da Cruz” e o nosso também

Celebramos hoje S. Paulo da Cruz, fundador dos Missionários Passionistas. É esta a hora favorável e o momento oportuno para nos aproximarmos deste santo italiano, considerado como o maior místico do século XVIII, e conhecermos os traços da sua fisionomia espiritual que ainda hoje nos interpelam.
Mais do que nos perdermos em detalhes biográficos, nesta hora mais vital que cronológica e neste lugar mais existencial que geográfico, devemos centrar-nos no essencial, na essência do seu ser e fazer e que se encontra bem expresso no seu nome: “da Cruz”!
Se o nome de uma pessoa é algo que identifica, no caso do fundador dos Missionários Passionistas é também algo que caracteriza. Na verdade, o apelido adotado por Paulo Danei, no dia da sua profissão religiosa (11/06/1741), qualifica bem a sua identidade e missão.
Paulo é da Cruz porque é a Cruz de Cristo a razão de ser da sua vida e porque fez da Cruz o seu estilo de vida.
Paulo é da Cruz porque a verdade do amor de Deus que se revela de forma exímia na Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo são a verdade fundante e fundadora do seu ser, da sua identidade e da sua vida. Com o Apóstolo das Gentes, Paulo da Cruz pode exclamar: “com Cristo estou crucificado. Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. Se ainda vivo dependente de uma natureza carnal, vivo animado pela fé no Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim.” (Gl 2, 20) A pedra angular que sustenta Paulo da Cruz é a verdade inquestionável, (re)criadora, (re)confortante e (re)vigorante do amor de Deus por todos e por cada ser humano revelado na Paixão de Seu Filho.
Paulo é da Cruz porque o seu estilo de vida, a sua missão, o seu fazer respondem plenamente ao convite do Senhor: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16, 24). Com o Apóstolo das Gentes, Paulo da Cruz pode exclamar: “Eu mesmo, quando fui ter convosco, irmãos, não me apresentei com o prestígio da linguagem ou da sabedoria, para vos anunciar o mistério de Deus. Julguei não dever saber outra coisa entre vós a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado” (1 Cor 2, 1-2). No entanto, tal anúncio da Mensagem da Cruz não foi feito só com palavras, ditas oportunas e inoportunamente (cf. 2Tm 4, 1), mas acima de tudo com um estilo de vida cruciforme que se declina na renúncia de si mesmo (colocar o tu antes do eu!), no tomar a cruz (o abraçar o amor e a fidelidade até às últimas consequências!) e no seguir Jesus (não ir a nenhum lugar onde Cristo não nos preceda e acompanhe!).
Contudo, não é só Paulo que se chama da Cruz. Todo e qualquer cristão, e com muito mais razão cada passionista, tem como apelido “da Cruz”. Na verdade, não nos podemos esquecer que foi na e da Cruz de Cristo que nascemos. Como nos recorda o concílio Vaticano II, no seguimento da teologia patrística, “foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu o sacramento admirável de toda a Igreja” (SC 5).
Assim sendo, a festa de S. Paulo da Cruz que hoje celebramos é um convite a renovar o nosso ser e fazer, a nossa identidade e missão.
Deixemos que, neste dia, ressoem nos nossos corações as interpelações de Paulo da Cruz: “descanse sobre o seu divino Lado, que é a fonte do santo Amor”. Na verdade, “a Paixão de Cristo é a maior obra do amor divino” e “o remédio mais eficaz contra os males de todos os tempos”. Por isso, “na Paixão de Cristo não há engano. Quem se aconselha com o Crucificado jamais erra.”
Só assim renovaremos a nossa identidade batismal e passionista que é a identidade Pascal!
Que S. Paulo da Cruz interceda por nós ao Senhor!

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