Sermos “o bom odor de Cristo” (2 Cor 2, 15)

“E a casa encheu-se com o perfume do bálsamo.” (Jo 12, 3)
Os relatos da Paixão iniciam com o gesto de uma mulher que unge os pés de Jesus com um perfume de alto preço. Este gesto que nos fala da desmesura e do excesso do amor é criticado por alguns, mas é defendido por Jesus. Na verdade, o gesto desta mulher é Evangelho, boa notícia e pode ser entendido como uma interpretação, como uma chave de leitura da Paixão de Jesus: a desmedida do amor de Cristo que na cruz verte o perfume do seu precioso sangue. Segundo o evangelista João, é Maria, a irmã de Lázaro e Marta, que unge os pés de Jesus com perfume de nardo. Judas, que valorizava mais o preço do que o valor das ações, logo se apressou a criticar a ação da mulher. Na verdade, a sua ganância impede-o de compreender a lógica do excesso e do dom desmedido do Amor. Como era ladrão, dava mais importância ao que podia ganhar com Cristo do que àquilo que podia dar a Cristo. Jesus não deixa de defender a belíssima expressão de dedicação, gratuidade e gratidão de Maria que encheu de perfume toda a casa. De Maria de Betânia e de Jesus devemos aprender a viver o excesso e desmesura do amor, não cedendo à tentação da ganância que estima mais o preço do que o valor das ações. Também nós estamos chamados, na nossa vida concreta, a entregarmo-nos totalmente em oblação de Amor a Deus e ao próximo. Através dos nossos gestos de caridade, seremos “o bom odor de Cristo” (2 Cor 2, 15), neste mundo putrefacto pelas forças morte.
(Photo by Emily Wang – Unsplash)
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