
“Uma nova visão do trabalho e atividade humana” foi o tema orientado pelo P. Nuno Ventura desta décima catequese/conferência, ocorrida no passado dia 4 de Março no salão nobre do Seminário, no âmbito deste Ano da Fé.
O conjunto ingente de esforços humanos da história para alcançar melhores condições de vida corresponde à vontade de Deus. Isto vale também para os afazeres mais comuns. Através de seu trabalho os homens desenvolvem a obra do Criador.
O Concílio supera definitivamente toda atitude de desprezo pelas realidades terrestres. “O homem pode e deve amar as coisas criadas por Deus”, pode “usá-las e usufrui-las com liberdade de espírito” (GS 37). A esperança cristã “deve avivar a preocupação no aperfeiçoamento desta terra” (GS 39; cf. 21, 34, 38, 42, 43 e 57). E podemos ficar cientes, a partir da fé, de que “os frutos da natureza e de nosso trabalho retornarão a nós límpidos e purificados…” (GS 39). É uma atitude radicalmente contrária àquela da espiritualidade clássica medieval e barroca. Uma atitude ainda muito longe de ter sido assimilada devida- mente na igreja. A espiritualidade conciliar nos convida a amar de modo apaixonado as coisas, nosso trabalho, a terra e sua história, porque em tudo habita a presença de Deus, e nisto estão em jogo os destinos do Reino, da graça de Deus.
