Por vezes, andamos perto de Jesus, mas os nossos sentimentos não são os Seus. Quantas vezes estamos mais interessados em que Cristo aprove os caminhos e projetos que delineamos sem Ele do que em seguirmos Jesus até onde e da maneira que Ele nos quiser levar. O evangelho deste dia comprova como a vizinhança física não implica, por si mesmo, uma proximidade sentimental. Jesus, anunciando pela terceira vez a sua Paixão, deixa bem claro que o seu caminho é o caminho da cruz, não um caminho que termina na cruz, mas um caminho que passando pela cruz conduz à ressurreição. No entanto, os discípulos não entendem ou, pior do que isso, não querem entender esta lição de Jesus. Prova disto é o pedido da mãe dos filhos d Zebedeu. A um Jesus que fala de dádiva da vida, Tiago e de João manifestam o seu desejo de poder, dispondo-se aos sacrifícios necessários para o atingirem. Tal pedido gera a indignação dos outros discípulos, não porque reconhecem que a súplica daquela mãe está equivocada, mas porque também eles desejavam a glória e a grandeza humana. A sua indignação não nasce da defesa da justiça, mas da inveja e, por isso mesmo, gera a contenda entre os discípulos. A esta comunidade ameaçada pelos efeitos nefastos da ambição, Jesus, com toda a paciência, volta a ensinar o segredo da vida: o serviço. A exemplo do Mestre, a existência de cada discípulo deve ser uma pró-existência. Como Jesus, devemos colocar a nossa vida ao serviço da libertação dos ser humano. Seguir os passos do Senhor Jesus, melhor dizendo, o Senhor dos Passos é descobrir que os outros não existem para me servir, mas que a minha existência só tem sentido e se realiza no serviço ao próximo.
(Photo by Felix Koutchinski – Unsplash)
