Seminário da Santa Cruz dos Missionários Passionistas
Avenida Fortunato Meneres, 47
Santa Maria da Feira, Portugal
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“Havia um homem rico, que se vestia de linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. Um pobre chamado Lázaro jazia junto do seu portão, coberto de chagas.” (Lc 16, 19)

Não sei se impressiona mais a extrema pobreza de Lázaro ou a insensibilidade e futilidade do rico epulão. A parábola não atribui nenhum nome a este homem rico, ou seja, apresenta-o como alguém sem identidade, simplesmente interessado em vestir-se bem e comer melhor. Uma existência de tal maneira absorta nos seus interesses mesquinhos que o impede de ver aquele pobre chagado que jazia à sua porta e que o poderia ter levado a questionar o seu ridículo estilo de vida e a partilhar o que tinha e era, aproximando-o da felicidade. O rico fechava os olhos e o coração ante a miséria daquele pobre, para não se desinstalar. A única vez que reparou em Lázaro não foi para o ajudar e para oferecer misericórdia, mas para pedir compaixão. Também nós, quantas vezes, só nos recordamos dos outros quando necessitamos de algo e não quando eles precisam da nossa ajuda. Assim é o nosso coração: cego pelos seus pequenos caprichos e incapaz de oferecer aquilo que deseja para si. No entanto, não estamos condenados a ficar assim para sempre. Há possibilidade de mudança e de conversão desde que os olhos do nosso coração vejam os indigentes que jazem à nossa porta e que os ouvidos da nossa consciência escutem a Palavra de Deus que também ecoa nos lábios dos pobres. Neste itinerário de conversão quaresmal, os pobres podem ser os nossos melhores aliados. “A Igreja abraça com amor todos os afligidos pela enfermidade humana; mais ainda, reconhece nos pobres e nos que sofrem a imagem do seu fundador pobre e sofredor, procura aliviar as suas necessidades, e intenta servir neles a Cristo.” (Lumen Gentium, 8) Quando socorremos um pobre, também estamos a salvar a nossa humanidade.

(Photo by Shail Sharma – Unsplash)