Seminário da Santa Cruz dos Missionários Passionistas
Avenida Fortunato Meneres, 47
Santa Maria da Feira, Portugal
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Homilia da Celebração Eucarística do quinto dia do padre Salvatore Frascina

Podemos dizer que este dia começou com um grande dom do Senhor, o dom da sua Palavra, da fraternidade, o dom da vocação. O dom de confirmar mais uma vez que estamos aqui e queremos ser d’Ele.

Mergulhemos, pois, nesta Palavra, neste mar que nos foi dado hoje através dos salmos de louvor, através das leituras da Missa, para aceder cada vez mais profundamente ao coração desta liturgia, que depois continuará neste dia. E eis que o Senhor coloca diante de nós uma bela Palavra, mas dura ao mesmo tempo. Se notarmos bem, a primeira leitura é a última parte do livro do profeta Oseias. Um livro que fala de um Israel que era pecador, mas apesar de tudo, o Senhor lhes diz para voltarem para Ele, porque Ele pensou em tudo. Assim também nós queremos fazer esta grande passagem todos os dias, todos os momentos: “Senhor, não sou eu que ajo, és Tu que ages!”. O Senhor que purifica, que nos acolhe, que nos abraça, o Senhor que nos acaricia, que nos beija, o Senhor que nos põe o anel no dedo.

Muitas vezes perdemo-nos atrás de tantas coisas; muitas vezes perdemo-nos atrás de nós mesmos, no nosso egoísmo. Perguntamo-nos o que eu quero, e não o que Deus quer, e o Evangelho vem em nosso auxílio. Como podemos fazer isso? Como podemos estar continuamente com esta mente treinada para nos deixarmos moldar pelo Senhor?

Como nos deixamos moldar por Ele, estar nos seus braços. Como o podemos fazer? O Evangelho vem em nosso auxílio. Jesus nos diz, com apenas uma palavra, a palavra mais bonita, a palavra maior como devemos fazer: Amar a Deus!

Qual é o maior mandamento? Amo a Deus, mas obtenho o amor a Deus do amor ao próximo e do amor a mim mesmo. Não amor narcisista. Posso amar o outro na medida em que me amo. Posso dar ao outro tanto quanto dou a mim! Então o Senhor me chama a amar-me antes de tudo e a questionar-me: o que eu quero para mim? E o que eu quero para mim, devo querer também para o outro e ainda mais, porque o próprio Jesus no final do Evangelho de João dir-nos-á: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei». Como Ele nos amou?

Ontem à noite na simbologia da adoração eucarística usamos o pão, o avental e a ânfora. Então se eu me amo, se eu me amo, eu tenho que me cuidar. Eu também tenho que poder lavar os pés, tenho que me curvar para poder lavar os pés. Então Jesus me diz: “Faz isto também ao teu irmão!” Tenho que me curvar para lavar os pés do meu irmão. Se todos fizéssemos isso, se todos conseguíssemos fazer isso, quer dizer, espiritualmente, já estaríamos um passo à frente. Lavar os pés significa dar-me pão, alimentar-me aos outros. E isso é o que o Senhor fez, é o que Ele nos pede. Não somos apenas pessoas, somos também seus sacerdotes. Somos chamados a ser outro Cristo, a mostrar o Seu rosto, o Seu amor, a ser as suas testemunhas de modo particular, de modo especial.

Por isso, queridos irmãos, continuamos a pedir o dom do Espírito Santo para que possamos pensar: “O que eu quero para mim? O que eu quero para os outros? Deixar de lado todo orgulho. Fazer essa passagem de nos confiarmos nas mãos de Deus, Ele cuidará de tudo. Não temos nada a perder.