A Experiência de Castellazzo comporta 5 temas: oração, solidão, Paixão de Cristo, pobreza e penitência. Abrimos as portas a 2022 com o tema: a solidão. O primeiro impacto pode ser de estranheza, pois existem outros temas tão ou mais oportunos para explorar logo no início do ano. De facto, tudo depende da interpretação que damos a esta temática. A solidão não se limita a um caráter menos bom, muito pelo contrário, pode ser vista de uma forma muito positiva e essencial nas nossas vidas.
Fomos abraçados pela natureza da mata do Seminário de Santa Maria da Feira que se fazia acompanhar por longos raios de sol, proporcionado assim um ambiente profícuo a uma liberdade de pensamento e bem-estar ao ar livre. Estavam assim reunidas as condições para dar início ao encontro do mês de janeiro.
A solidão não é sinónimo de estar sozinho, mas antes a capacidade de criar um distanciamento crítico sobre o exterior para estarmos em comunhão connosco e com o Pai. Assim fez Jesus, nas muitas vezes que subiu ao monte para orar. Podemos interpretá-la como a capacidade de olhar para dentro para conseguir identificar o que se passa. Assim sendo, é importante saber discernir e perceber que a nossa vida é a consequência das nossas escolhas. São estas escolhas que moldam as nossas vidas e o seu resultado é o reflexo das opções que tomamos. Saber executar estas escolhas nem sempre é fácil. Surge aqui uma dualidade que é importante ser esclarecida neste distanciamento crítico para um processo de escolha em liberdade: inspiração e sugestão. A inspiração está relacionada diretamente com a voz de Deus que nos conduz para a vida, empurra-nos para o bem deixando-nos em plena liberdade. Por sua vez, a sugestão é aquilo que me quer afastar da minha missão, impõe-se com mais violência e de uma forma confusa. Empurra-me para o mal (muitas vezes disfarçado de bem) com violência. Esta ambiguidade traduz-se no bom espírito (o Espírito de Deus) que respeita a minha liberdade, procura a verdade, encoraja, fortalece e tranquiliza. Por outro lado, o mau espírito obriga, confunde, provoca medo do passado e do futuro, divide e fecha a pessoa no seu orgulho.
Trago dois exemplos sobre o Espírito de Deus em nós. Um recai nas bem-aventuranças que se iniciam com a palavra “Felizes…”. Depois, o segundo exemplo incide sobre o primeiro mandamento da Lei de Deus em duas palavras: “Adorar e Amar…”.
A nossa vida tem o sabor que nós lhe dermos, o sabor da felicidade e do amor. É através desta comunhão com a graça de Deus que podemos senti-la em tudo o que nos abre aos outros e ao mundo, interior ou exterior.
E tu, que sabor tem a tua vida? Se pudesses escolher, escolherias a vida que tens hoje?
Tiago Barros
