Caríssimos Religiosos e Família Passionista Laical,
É bom iniciarmos a Semana Santa, na qual celebramos os Mistérios centrais da nossa Redenção, a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, com os “mesmos sentimentos de Cristo Jesus”, como nos diz o apóstolo Paulo. Recordemos a Carta aos Filipenses: “Tende entre vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus: Ele, que é de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si próprio, tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fil.2,5-8). Temos aqui um profundo e exigente itinerário de seguimento e de identificação com Jesus Cristo no Seu caminho de Paixão e Morte, que termina na Páscoa, na Sua Ressurreição: “Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo” (Fil. 2,9).
“Não se valeu”, “aniquilou-se a si próprio”, “rebaixou-se a si mesmo” “tornando-se obediente”. Este foi o seu itinerário de amor, que terá de ser o nosso, é o grande mistério de amor que nunca chegaremos a penetrar, nem a entender, mas que precisamos de “recordar”, repetir até a saciedade, “interiorizar e fazer nosso” porque é o único caminho de vida e de salvação para todo o homem, para cada baptizado e consagrado. É o centro do nosso carisma Passionista. Ser Passionista não é fazer acções ou dar mais vida a certas tradições, por mais piedosas e solenes que se apresentem, ligadas à Paixão do Senhor, mas sim tentar identificar-se com Jesus Crucificado, num esforço diário, através da entrega e do seguimento deste Jesus “que não se vale”, “que se aniquila a si próprio”, que se “rebaixa a si mesmo”, “que se torna obediente”. (…)
Ter os “mesmos sentimentos de Jesus Cristo” é a única atitude digna do cristão e muito mais dum Passionista, que deve fazer constante memória de Jesus Crucificado. Fazer memória é muito mais que recordar e celebrar, é procurar ser como Jesus, é “ter os mesmos sentimentos de Cristo Jesus”, ser imagem Dele, procurando segui-Lo no caminho do Calvário, oferecer a nossa própria vida aos irmãos que caminham connosco, como Ele e por amor Dele.
Viver esta “memória” de Jesus Crucificado, será sempre um desafio e um grande testemunho, num mundo que humilha, pisa, esmaga, aniquila e destrói todo e qualquer esforço da pessoa humana para viver com a mínima dignidade; viver esta “memória”, “tendo os mesmos sentimentos e Jesus”, nesta sociedade de mania de grandezas, onde todos procuram acotovelar-se para serem os maiores, os senhores, seja pelo ter, seja pelo poder, seja pelo estatuto social, mesmo que tenha si do adquirido pela fraude, mentira ou corrupção, será sempre um grito de quem quer andar contra corrente, que naturalmente chocará e ferirá certas sensibilidades. Fazer “memória” de alguém que dá a vida por amor, como Jesus, num mundo de vaidade, orgulho e dum tremendo egoísmo, onde impera o “eu” e só o “eu”, onde todos se têm de prostrar diante de mim e sujeitar-se ao meu querer, às minhas manias, ou ideias, para me endeusarem e encherem meu “ego”, é hoje um belo ideal de vida, que vale a pena apresentar ao mundo, porque estamos a “fazer memória” do Amor que dignifica, que promove a pessoa, que constrói um mundo novo e por esse ideal secundarizamos tudo o que podem ser pequenos ídolos, que idolatramos, sejam elas coisas, pessoas ou o meu “eu”.
“Fazer memória do Crucificado” é amar sem cálculos, nem medidas, é “amar até ao fim” como Jesus, é libertar-se e libertar, a si e aos outros, de todas os sinais de morte, é retirar as pedras de todos os sepulcros, é desatar todas as ligaduras, que impedem caminhar, é construir pontes que nos levem para a outra margem para a Passagem da Páscoa pessoal, é abrir caminhos para unir, é estender a mão, não para apontar e condenar, mas para levantar, é olhar em frente e para os lados para todos caminharmos unidos e que ninguém fique para trás. (…)
“Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo” (Fil. 2,9). Isto é a Páscoa. “Os que se humilham serão exaltados”. Por isso na manhã de Páscoa ouviremos esse cântico de glória: “Jesus, o crucificado, ressuscitou!… Ide depressa dizer aos seus discípulos: «Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galileia. Lá o vereis»” (Mt.28, 5, 7), “Foi este Jesus que Deus ressuscitou, e disto nós somos testemunhas” (Act. 2, 32).
Para cada todos os Religiosos Passionistas da Província de Nossa Senhora de Fátima e seus familiares e para toda a Família Passionista Laical desejo uma Semana Santa que seja mesmo santa, vivida com “os mesmos sentimentos de Jesus Cristo”, com verdadeiro amor a este Jesus e a todos os irmãos, para que na manhã de Páscoa todos possamos cantar com júbilo: “Alegremo-nos e rejubilemos porque Jesus ressuscitou. Aleluia!”. Uma Santa e Feliz Páscoa para todos!
Santa Maria da Feira, 15 de Abril de 2011 P. Laureano Alves Pereira Superior Provincial
