Por ocasião do 250º aniversário da morte de São Paulo da Cruz, a comunidade passionista de Santa Maria da Feira organizou um programa comemorativo com vários momentos ao longo da semana preparativa. Inserido neste contexto, no passado dia 14 de outubro, a comunidade foi presenteada com uma conferência apresentada pela Drª. Maria Isabel Varanda, na Igreja dos passionistas.
A docente da Universidade Católica Portuguesa começou por suscitar uma “ativação do presente”, chamando a atenção para a abundância de cruzes nos tempos atuais, não somente as dos outros ou do próximo mas também aquelas que pertencem a cada ‘eu’. Num tempo em que, naturalmente e com razão, se foge da cruz, se foge do sofrimento, é necessário reconhecer a possibilidade de cada um poder ser ferido, ou seja, mais que a fragilidade, identificar e aceitar a vulnerabilidade do ser humano. A partir desta consciência da própria necessidade de se reconhecer crucificado e de se deixar serem tocadas as próprias cruzes, será possível fazer um passo de conversão, deixando cair a resistência à mudança, e de cada um se tornar capaz de ir, também, ao encontro dos outros crucificados. Nesta dinâmica de considerar (organizar as estrelas) com amor a Criação, permite-se que se realize a tarefa histórica de dar prioridade ao bem, não simplesmente não fazer o mal, mas o bem fazer, até que cada um se torne um ser benfazejo.
Segundo a Drª Isabel, cada humano vê-se carne do mundo, com responsabilidade sobre toda a Criação, com necessidade de expressar o próprio pranto e constatando-se crucificado com o Cristo que encarnou a carne humana e que se deixou crucificar, não pelo pecado, mas por cada mulher e homem. Neste caminho de procura interior e de crescimento na compaixão, suscitada pela Cruz, precisamos de ser espaço para que o outro aconteça e entrar no observatório da Cruz, para que continuemos, com a vida, a anunciar que a “Paixão de Cristo é a maior e mais maravilhosa obra do amor de Deus”.
