O Perdão ilimitado

“Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?” (Mt 18, 33)

Interpelado pela pergunta de Pedro (“Quantas vezes deverei perdoar ao meu irmão? Até sete vezes?”), Jesus, invertendo a lógica da vingança de Lamec (Gn 4,24), afirma a necessidade do perdão ilimitado: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” O perdão, na vida do cristão, não é algo acessório, mas uma exigência da fidelidade ao evangelho. Mas como poderemos aprender a perdoar? Assim como não aprendemos a amar sem ser amados, também não saberemos perdoar, se não fizermos a experiência do perdão de Deus que nos capacita, ensina e leva a perdoar os demais. Assim sendo, “perdoados, perdoemos.” (Santo Agostinho) Todos necessitam do perdão: o ofensor para poder recomeçar e o ofendido para se libertar do círculo da violência. Mas o que é o perdão? O perdão não é algo que se compra ou que se merece, mas que se dá e recebe graciosamente. O perdão não é um ato de memória, mas de criatividade. O perdão não passa pelo esquecimento ou pela negação do que aconteceu. Perdoar é recriar relações e vidas. Perdão é outro nome de ressurreição. O perdão é o que de mais forte existe, porque tudo pode ser perdoado. No entanto, também é o que de mais frágil existe, porque sendo um dom, o dom por excelência, nunca se sabe se a outra pessoa o aceitará. O que perdoa não é o mais fraco, mas o mais forte no amor. Só o perdão é capaz de tornar mais forte e próxima uma relação ferida pela divisão. O perdão é uma exigência do amor. Perdoar alguém é afirmar que a pessoa é mais importante que o ato cometido. No entanto, dizer “perdoo-te” não é fazer de conta que nada aconteceu, mas libertação recíproca do mal causado e sofrido. Perdoar é muito difícil, mas o mundo seria muito mais belo se não puséssemos limites ao perdão.

(Photo by Anna Hecker – Unsplash)

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