Visão e composição artística do pintor de ícones LOUKAS SEROGLU

O pintor de ícones (iconógrafo), através da oração e do jejum, inicia uma viagem interior em direção a Cristo e aos santos. O Espírito Santo, por assim dizer, conduz pela mão e revela a forma como os santos, e o próprio Deus, devem ser representados no ícone. O iconógrafo grego Loukas Seroglou, a quem foi confiada a pintura do ícone para o Jubileu do 300º aniversário da Congregação Passionista, foi também levado por esta dinâmica.

O ícone foi pintado sob a forma de um tríptico, uma forma tradicionalmente reservada à arte sacra, uma vez que contém uma imagem do mistério da Trindade divina.

No centro, no espaço principal, é representada a última estação da Paixão de Cristo, a sua morte na cruz. Aos pés da cruz vemos Maria, a mãe de Jesus, e S. Paulo da Cruz. Maria está com os braços levantados, braços que querem abraçar o seu filho, mas que parecem vacilar. Até ao fim, Maria deixa-se levar sem resistência pela vontade do poder de Deus. As suas mãos refletem uma tristeza indescritível. Numa mão segura o pano pronto a envolver o rosto do seu filho morto no momento da descida da cruz. No lugar de João, o discípulo amado, está o fundador dos Passionistas, São Paulo da Cruz. A sua postura exprime tristeza, impotência e uma grande devoção à vontade de Deus. Ele coloca a sua mão direita sobre o coração, o lugar onde o hábito dos Passionistas leva o símbolo do amor crucificado. Acima das duas imagens, sob a cruz, sob os braços estendidos de Cristo, podemos ver dois anjos. Lamentam-se e choram perante a paixão do Filho de Deus. A cabeça de Cristo está inclinada para um lado e os seus braços estão estendidos de forma desigual. Parece que, no momento da morte, há um diálogo interior com a sua mãe, como se ele a quisesse consolar.

O tronco da cruz entra, pelo chão, no submundo, onde Satanás, a velha serpente, aguarda o momento da sua derrota. Sobre a cruz, o símbolo dos Passionistas, rodeado pela mão de Deus que abençoa e pelos símbolos da criação e da recriação, o sol e a lua, o anjo do juízo final e a água como a corrente da vida do Espírito Santo, representada sob a forma de pomba.

Os dois santos e beatos que se encontram nos quadros laterais recebem a sombra dos anjos que carregam os instrumentos da Paixão de Cristo: a cana de hissopo e a lança, símbolos da sede de Cristo pela alma do homem e, ainda, a abertura do seu coração trespassado, que se converte assim na origem dos sacramentos da Igreja.

Do lado esquerdo está Santa Gema, a grande mística do amor da cruz, que representa todos os membros femininos da Congregação Passionista e o Beato Isidoro com o coração ferido pelo amor. Do lado direito, São Gabriel Possenti, com o crânio, como símbolo da mortalidade de uma vida humana sem Deus, ao lado dos ossos com que Caim matou o seu irmão Abel, e a vela acesa, o que significa a relatividade de toda a controvérsia humana. Debaixo dele vê-se o Beato Domingos com um livro aberto e plumas. Deus fala através do coração e através do intelecto. Quanto maior for o amor de Cristo, mais profunda a penetração e compreensão das Escrituras. De um lado da mesa, a ampulheta, como chamada à vigilância constante: vigiai, pois não sabeis nem o dia nem a hora em que virá o Filho do Homem.

(P. António Laser, passionista alemão)

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