Seminário da Santa Cruz dos Missionários Passionistas
Avenida Fortunato Meneres, 47
Santa Maria da Feira, Portugal
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Comunidade de Barroselas encena a Paixão de Cristo numa experiência imersiva

No passado dia 03 de abril de 2026, Sexta-feira Santa, a Igreja recordou e celebrou a Paixão de Cristo, como momento de amor, entrega e dor que precede a glória da Ressurreição. Para melhor vivenciar este acontecimento histórico e de fé, o Grupo São Paulo de Barroselas, no âmbito da Comunidade Passionista, propôs-se entrar em profundidade neste mistério e oferecer à comunidade local e dos arredores uma experiência imersiva nas últimas horas da vida terrena de Jesus.

Mais de 50 atores e figurantes, dos 5 aos 81 anos, saíram às ruas de Barroselas e deram vida a personagens bem conhecidas do ideário popular, como Jesus, Pilatos, Maria, Caifás e Anás, Maria Madalena ou o Cireneu, bem como a várias pessoas do povo hebreu que incentivaram a morte injusta de Jesus ou que a choraram.

O tempo ameno e a noite agradável permitiram que, por volta das 21h, na Escadaria da Igreja Paroquial de Barroselas, se desse início ao julgamento de Jesus no Pretório de Pilatos, onde o povo hostilizado pelos Sumo-Sacerdotes exige a morte e a crucifixão de Jesus, sendo até liberdade de um assassino, Barrabás, trocada pela sua flagelação. Apesar dos pedidos de justiça por parte dos seguidores de Jesus e da própria mulher de Pilatos, o governador lava as mãos e entrega o Nazareno aos intentos do povo. Abre-se, então, o cortejo em direção à Igreja dos Passionistas, o local do Calvário. Ao longo do percurso vão acontecendo algumas paragens a motivo das quedas de Jesus sob o peso da Cruz ou pelo encontro com algumas personagens, como a Verónica que lhe limpa o rosto, Maria que o quer confortar, Simão que o ajuda a carregar a Cruz ou o povo que discute a pertinência de tal acontecimento, convidando o espectador a uma reflexão.

Chegados à Igreja dos Passionistas, Jesus é crucificado entre dois malfeitores, proclama as suas últimas palavras e expira, morrendo. O ambiente é pesado, a tristeza e a comoção enchem o rosto dos diversos atores. Cristo é descido da Cruz, recostado no regaço de sua mãe e sepultado. Contudo, as cores da manhã enchem o local, as mulheres dirigem-se ao sepulcro para ungir o corpo, mas já não o necessitam de fazer pois o sepulcro está vazio. Jesus ressuscitou e deixa a sua mensagem de esperança a todos os presentes.

Antecedem esta recriação, dois meses de ensaios, empenho e disponibilidade, nos quais os atores e toda a equipa se prepararam para entregarem uma experiência diferente ao espectador. Forma dois meses de compromisso, investimento, dedicação e de trabalho numa contínua atualização para proporcionar uma maior intensidade e uma perspetiva sempre melhorada. Vestir personagens daquele período é mais do que fazer uma procissão ou um mero cortejo, torna-se num reviver e recriar de factos históricos ricos de emoção e profundidade espiritual.

João Rebelo